Farm Bureau atende 100% dos Estados Unidos

Bob Stallman, presidente do Farm Bureau

Outra agenda proveitosa nos Estados Unidos foi a visita ao Farm Bureau, entidade similar à Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). A comitiva foi recebida por Bob Stallman, presidente da entidade, que listou as principais dificuldades da organização, permitindo um paralelo entre a realidade norte-americana e a brasileira.

“Vivemos uma grande diferença cultural nos estados, com demandas específicas. Isso nos levou a definir como uma de nossas forças a habilidade em tratar dessas diferenças”, comentou Bob. Hoje, a entidade tem escritórios nos 50 estados norte-americanos. Os temas estratégicos são discutidos nos 2.600 escritórios municipais, depois seguem para uma discussão estadual. Os delegados estaduais se reúnem anualmente em Washington para o fechamento dos trabalhos.

Entre as realidades diferenciadas nos estados, Bob citou o uso do milho para a produção de etanol ao invés da ração animal e o fato de que as usinas criticam a importação de açúcar. “O setor da fruticultura reclama de não receber subsídio, e em alguns estados estamos vivendo um problema muito sério com a água para a produção rural”, cita.

No rol de problemas, o Farm Bureau enfrenta ainda questões de imagem. “Há pessoas e instituições que reclamam do sistema de produção do gado a pasto e confinado. De forma geral, a sociedade americana não sabe de onde vem a comida”, argumenta Bob Stallman. Ongs têm interferido em discussões sobre tecnologia de produção, e cada vez mais a questão de direitos dos animais têm se ampliado. “Apoiamos os direitos dos animais, mas precisamos de fatos científicos para agirmos”, argumenta.

O presidente do Farm Bureau explica que o trabalho ocorre em conjunto com outras associações quando se trata de aprovação de leis. “A instituição é aberta na defesa de políticas, mas não adotamos troca de favores. Participamos da política na esfera estadual, mas não nacionalmente, para podermos manter a independência”, comenta Bob Stallman. A entidade acompanha a atuação dos políticos e define que é “amigo” ou não do setor.

Além disso, produzem relatórios sobre a atuação dos políticos apoiados, que são enviados às unidades estaduais. “O lobby político é presente e fortalece a instituição, mas com regras claras”, pondera o presidente. Existe um encontro anual para o qual é produzido um livro que apresenta os temas defendidos pelo Farm Bureau e os pontos de vista sobre questões polêmicas.

A entidade acompanha de perto o trâmite das Leis Gerais definidas no Congresso, cuja regulamentação fica a cargo das agências nacionais. “Quando julgamos necessário, entramos com ações judiciais na Corte, e atuamos também nos acordos internacionais ou conflitos envolvendo os produtores, como foi o caso do algodão”, exemplifica o presidente da entidade. Entre as conquistas recentes estão a reabertura de alguns mercados depois do fenômeno da vaca louca e acordos comerciais importantes com países asiáticos.

Entre as bandeiras de atuação da organização estão o apoio aos produtores e a oferta de serviços, como ferramentas de comercialização.  (Marciel Becker)

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