A cereja do bolo

Este é o último relato da viagem do gestor do Núcleo Técnico da Famato, Eduardo Godoi, no Estradeiro da BR-158. Neste feriado de 7 de setembro, após percorrer mais de 2.000km de estrada, Godoi diz que se sente mais “patriota e orgulhoso”, mesmo com a inérsia do Estado para solucionar os problemas de logítica de Mato Grosso. Confira!

“Mesmo com a barulhenta noite de Redenção-PA, nosso chefe Edeon Vaz não teve pena. Às 5h da manha acordou toda a comitiva. Não soube se desejava bom dia ou boa noite. É o dia mais longo deste estradeiro. Serão mais de 800km até São Miguel do Araguaia-GO. De Redenção-PA tomamos o rumo para Tocantins via PA-287. De tão mal conservada, me fez lembrar nossa MT-358 no período das águas. Ao balanço de quase 100km de buraqueira nos despedimos do Pará. Quem nos dá adeus é a cidade de Conceição do Araguaia, enquanto do outro lado da margem do Araguaia o município de Couto Magalhães nos recepciona em Tocantins.

Rodovia PA-287

 

Paisagem de Redenção-PA

O Araguaia vale um parágrafo à parte. Mesmo atrasados, não resistimos e pisamos no freio. Não tem como seguir adiante sem ao menos curtir alguns minutos no alto da imensa ponte que separa estes dois estados do Norte. São mais de 300m de uma ponta à outra com uma beleza rara. Nas margens se formam belas praias e ao centro tem um volume de água de impressionar.  Nos juntamos ao grupo e seguimos pela TO-335 sentido Colinas. O trecho de 113km se altera em boas e más condições. Dou uma nota 6, talvez. Parada rápida em Colinas e 30km adiante já estávamos no terminal ferroviário  da Vale de Palmirante. Eu que, apesar de criado em Santos-SP, vendo trem passando todos os dias em minha frente, jamais tinha entrado num terminal. Fomos muito bem recebidos por toda equipe da Vale que, além de nos explicar como tudo funciona, nos presenteou com várias informações de lotar a prancheta.

Grupo visita o terminal ferroviário da Vale, em Palmirante-PA.

 

Terminal ferroviário de Palmirante-PA

O terminal receberá em 2012 mais de 800 mil toneladas de soja. Cerca de 85% de origem mato-grossense. O grão é despejado em locomotivas de 80 vagões com mais de 7 mil toneladas que percorrem cerca de 960km em 36 horas até o porto de Itaqui, no Maranhão. O terminal opera hoje com  apenas 50%  de sua capacidade máxima, mas, independente disso, existem várias obras de ampliações previstas para os próximos anos. Para o terminal aumentar sua eficiência é necessário melhorar as condições de tráfego da BR-158, além da PA-287 para que esta logística ganhe competitividade e atraia cargas que ainda insistem em descer para os portos do Sudeste. O investimento nos portos de São Luiz para aumentar a capacidade de embarque também é necessário, mas, como se trata de investimento privado, isso deve acontecer em breve já que várias obras estão em andamento.

 

Terminal ferroviário de Palmirante-PA

Fiquei muito contente de ver este modal tão falado funcionando na prática. Ainda não é perfeito, é claro. Precisamos de uma maior competição entre as rotas e modais para que a verdadeira competitividade da ferrovia seja sentida no bolso. Com exceção do Rio Madeira, que já escoa parte da produção do Oeste de Mato Grosso em barcaças, as demais hidrovias levarão bons anos para entrar em funcionamento. Até lá, a dobradinha Rodoviário/Ferroviário será a solução para reduzirmos o custo logístico de Mato Grosso. Por isso, considero o pequeno terminal da Vale como a cereja do bolo desta viagem. É como se fosse uma injeção de motivação, provando na prática que dá para fazer.

Equipe confere todo o trecho no mapa.

Com o terminal no retrovisor, pegamos a BR-153 para Palmas – meu destino final. Esta rodovia muito bem conservada e sinalizada tem movimento que lembra nossa BR-163. No sufoco, chegamos ao aeroporto de Palmas faltando apenas meia hora para meu embarque! Uma conversinha mansa valeu meu “green card” para Brasília e depois embarcar para Cuiabá.

 Meus amigos do Estradeiro seguem viagem! Que todos cheguem em casa na santa paz ao final deste feriadão, que comemora nossa Independência. Falando nisso,  após percorrer mais de 2.000km nestes últimos 4 dias, vendo de perto as regiões visitadas se desenvolvendo, me sinto mais patriota e orgulhoso de nosso povo e do que fazemos! Mesmo com o total abandono e ingerência do Estado, estamos levando esta porção do Brasil adiante!

 Grande abraço e até a próxima!”

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