Missão técnica conhece a produção de etanol de milho

Depois de visitarmos uma colônia de produtores de leite na terça-feira (18.09), conhecemos a indústria Husker AG, que produz etanol à base de milho na cidade de Plainville, em Nebraska. Foi uma experiência muito interessante, tanto aos participantes como para os funcionários da usina. Segundo o gerente, Seth Harder, foi a primeira vez que a indústria recebeu um grupo tão grande de brasileiros.

É a primeira vez que a usina recebe um grupo tão grande de brasileiros.

 

Construída em 2003, a usina processa, atualmente, 1,95 mil toneladas de milho por dia e tem capacidade de fabricar 815 metros cúbicos de álcool diariamente.

A empresa emprega 50 funcionários em dois turnos. Não é uma cooperativa, mas sim uma LTDA com 668 sócios (75% são produtores). Para a construção da indústria foram investidos US$ 55 milhões (aproximadamente R$ 115 milhões), valor que surpreendeu os participantes da Missão Técnica. No Brasil, para implantar uma usina de cana-de-açúcar com a mesma capacidade de produção, por exemplo, seria necessário investir no mínimo R$ 300 milhões. “Hoje o negócio deles está bem mais rentável do que o nosso. Além disso, o investimento total deles está baixo em relação ao nosso. Para a produção de etanol não há subsídios e, mesmo com a alta do preço do milho este ano, eles estão sobrevivendo no mercado”, observou Wallace. O milho está custando US$ 8 o bushel, ou seja, R$ 39,00 a saca. Na usina 1 tonelada de milho produz 416 litros de álcool.

Quando a indústria foi planejada, a expectativa era ter lucro de US$ 0,10 por galão, ou seja, R$ 0,05 por litro. Segundo Harder, nos dois últimos anos, o lucro chegou a US$ 0,25 por galão (R$ 0,14/litro). Neste ano, por conta da seca, os ganhos da usina não alcançaram US$ 0,01/galão e, em alguns casos, até negativo. “Neste ano, devemos produzir cerca de 20% a menos de etanol do que o normal”, afirmou o gerente.

Indústria de etanol de milho em Nebraska.

 

Todos os anos são produzidos 450 mil toneladas de subprodutos do etanol para alimentar o gado de leite e de corte. Trata-se do MDG, sigla que em português significa milho destilado modificado. O MDG é um resíduo do processo de produção do etanol feito à base de milho. A diferença dele para o DDG (grão seco destilado) é a umidade. O primeiro tem 54% de umidade e o segundo 10%. Outro diferencial é a durabilidade. O prazo de validade do MDG é 14 dias e o DDG pode durar anos. De acordo com o gerente, como o produto é comercializado em confinamentos da região, é preferível o MDG por que não há necessidade de o produto passar pelo procedimento de secagem, como o DDG. O teor de proteína bruta tanto do MDG quanto do DDG é de 32%. A tonelada do MDG custa US$ 135,00 e do DDG sai a US$ 190,00.

MDG subproduto do estanol de milho utilizado para ração animal.

 

A indústria foi construída estrategicamente próxima à ferrovia. Harder explicou que se precisasse construir este modal, a empresa teria que investir US$ 1,5 milhão para fazer uma milha de ferrovia, ou seja, aproximadamente R$ 2 milhões por km.  Do total de etanol produzido na usina, 80% vai para a Califórnia pelo trem e o restante é consumido na região. O milho utilizado no processamento é plantado num raio de distância de 160 km – muito próximo da indústria. Os silos da usina têm capacidade de armazenar 25 mil toneladas de grãos. Com relação aos tanques para o armazenamento do etanol, a capacidade é de 9,5 mil metros cúbicos.

A ferrovia passa ao lado da indústria.

 

A energia elétrica utilizada na usina é oriunda de outras empresas fornecedoras de energia e gás natural. Para transformar o milho em etanol são necessárias 65 horas. Somente no processo de fermentação são utilizadas 60 horas, as outras cinco horas são aproveitadas nas etapas de moagem, trituração, descarga.

Para o vice-presidente da Famato, Normando Corral, o sistema de produção de etanol de milho é interessante. “É possível fazer isso no Brasil e em Mato Grosso, principalmente, por que temos uma grande oferta de milho. O etanol de milho não é melhor do que o de cana-de-açúcar, mas é uma opção a mais. Se fizéssemos a usina de cana junto com a de milho poderíamos utilizar o bagaço da cana para gerar energia elétrica na usina de etanol de milho. Acredito que um dia podemos vir a ter essa parceria, mas dependerá de for economicamente viável ou não”, opinou Corral.

Enquanto no Brasil são processados 6,5 mil litros de álcool por hectare à base de cana-de-açúcar, nos EUA são fabricados 3,85 mil litros de etanol de milho. Os números mostram que nossa produção é maior, mas ainda perdemos em logística e infraestrutura para nos tornarmos mais competitivos neste setor.

Gerente, Seth Harder, mostra a usina para o grupo do Sistema Famato e Senar.

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