No coração da bacia leiteira da Argentina

O município de Sunchales, da província Santa Fé, é o “coração” da bacia leiteira da Argentina. É lá que está uma das unidades da Sancor, a maior cooperativa de produtores de leite do país, onde os participantes da Missão Técnica da Famato e Senar-MT conheceram a história e a estrutura de produção e distribuição da cooperativa.

Fundada em 1928, a unidade começou suas atividades com a produção de manteiga. De lá para cá, diversificou a produção para mais de 120 produtos industrializados em 16 plantas espalhadas pela Argentina. Entre os produtos estão creme de leite, queijos, doce de leite, manteiga, sobremesas, iogurtes, leite em pó e longa vida. São 1.400 produtores cooperados – um exemplo bem-sucedido de cooperativismo que pode servir de espelho para Mato Grosso.

A indústria que visitamos produz leite em pó, longa vida (de caixinha) e doce de leite. A capacidade instalada é para processar 2 milhões de litros de leite por dia, mas a cooperativa recebe atualmente 1,2 milhão de litros/dia.

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As indústrias de laticínio na Argentina passam pela mesma situação que as brasileiras que é a variação do volume de produção de leite de acordo com a época do ano, o que provoca ociosidade das indústrias quando a produção diminui.

O fluxo de caminhões é de 140 diariamente. Eles buscam o leite dos cooperados num raio de 80 km da região. Para ser um associado, o gerente do departamento de Relações e Comunicações, Sérgio Marcelo Montiel, explicou que os produtores precisam cumprir algumas exigências, entre elas estão produzir leite de qualidade e firmar um compromisso de entrega com a cooperativa.

Os participantes da Missão Técnica da Famato e do Senar-MT conheceram as três partes de produção da indústria. Infelizmente não fomos autorizados a fotografar a parte interna, mas fizemos um registro especial em frente à empresa.

Fachada da cooperativa.
Fachada da cooperativa.

 

A Sancor exporta seus produtos para mais de 30 países. Além disso, a cooperativa tem distribuidores exclusivos nos principais países da região (Paraguai, Chile, Bolívia, Peru, Bolívia e Uruguai), subsidiárias no Brasil e Estados Unidos e parceria com uma empresa chinesa que fornece alimento para crianças de zero a três anos.

A forma como a cooperativa é administrada chamou a atenção do produtor e presidente do Conselho fiscal da Famato, Eliezer Alves de Carvalho. “Gostei muito da maneira como eles administram a cooperativa. Assim como na propriedade Chiavassa que fomos ontem, o sistema de gestão parece muito eficiente”, opinou.

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A cooperativa também contribui com a capacitação dos associados por meio de dias de campo feitos nos estabelecimentos dos cooperados com o foco no manejo. Além disso, são feitas jornadas técnicas em vários locais e existe uma equipe de profissionais que presta assistência técnica para os cooperados.

Outro aspecto interessante e muito semelhante ao que vivemos em Mato Grosso é a dificuldade da sucessão familiar nas fazendas. Em sua apresentação, Sérgio Montiel destacou três pontos principais que levam os jovens a não se envolverem na agropecuária. O principal é o desejo de “urbanização”. “Os jovens não querem se dedicar ao campo, porque as condições de vida oferecidas não são atrativas. Falta serviço médico, eletricidade e infraestrutura, por exemplo, para atender suas aspirações”, afirmou Montiel.

Os outros fatores são a renda pouco atrativa e o crescimento da oferta e diversificação de cursos acadêmicos. Isso faz com que os jovens tomem outros rumos profissionais.

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