Hasta luego Argentina!

Encerramos nossa Missão Técnica na Argentina. Neste post, vamos destacar algumas informações mais “econômicas” do país. Conversando com os produtores, empresários e representantes de classe da Argentina, constatamos que o setor agropecuário está passando por alguns problemas semelhantes aos brasileiros. Entre eles estão os altos custos de produção e de impostos, dificuldades na sucessão familiar das propriedades e dificuldade em encontrar mão de obra qualificada.

Se não fossem os investimentos feitos no passado para implantar técnicas avançadas de nutrição animal e sanidade do rebanho, que contribuíram para os bons níveis de produção de carne e de leite do país, a situação econômica seria muito pior.

Os produtores argentinos estão descapitalizados e sem acesso a financiamentos públicos e privados. A alta inflação, câmbio desfavorável e mercados fechados por conta das relações exteriores do país têm criado uma conjuntura econômica negativa para o mercado agrícola e pecuário argentino.

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos agricultores é o imposto chamado “retenciones” que incide sobre a produção de grãos. São 35% na soja e 23% no milho. Na produção de leite, atualmente, este imposto não é incidido. Mas, ainda assim, a pecuária de leite vive uma das piores crises da história do país.

O imposto “retenciones” faz com que boa parte de todo o excedente da produção agropecuária fique no país, o que impacta na redução dos preços dos produtos e, consequentemente, na baixa lucratividade dos produtores.

Reunião com membros da Câmara de Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da Argentina
Reunião com membros da Câmara de Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da Argentina

O desestímulo às exportações, por parte do governo, levou a Argentina a reduzir em aproximadamente 20% o volume de exportações. No caso da carne bovina, apenas 7% do que é produzido vai para o mercado externo. No passado, esse volume correspondia a aproximadamente 15%.

O rebanho bovino da Argentina reduziu nos últimos 10 anos de 61 milhões para 51 milhões de cabeças. Somente o estado de Mato Grosso possui 28 milhões de cabeças.

Como reflexo da crise financeira do país, o consumo de carne também vem diminuindo, dando espaço para as carnes de frango e suína. O preço médio de um quilo de carne bovina, por exemplo, equivale a três quilos de frango.

No caso do trigo, a produção da próxima safra deve cair de 17 milhões de toneladas para algo em torno de 9 milhões de toneladas. O país consome cerca de 6 milhões de toneladas.

Na pecuária de leite, o setor atravessa uma das piores crises, com fechamento de aproximadamente 8 mil tambos (propriedades leiteiras) nos últimos anos, especialmente os de pequeno e médio porte.

Mesmo assim, pelas tecnologias aplicadas na produção de leite, o volume produzido por propriedade é bem maior do que no Brasil. As propriedades pequenas da Argentina produzem até 2.900 litros de leite por dia, diferentemente de Mato Grosso em que 95% das fazendas de leite produzem menos de 100 litros por dia.

Centro regional do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária
Centro regional do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária

No caso da soja, as perspectivas são de redução de área e do nível tecnológico para a próxima safra e isso, consequentemente, vai contribuir para uma produção menor. Nos últimos anos, como consequência do aumento do preço da soja, muitas áreas de pecuária foram convertidas em agricultura. Mas, atualmente, os preços da soja não estão atrativos e essa conversão de área está inviável economicamente. As expectativas de melhoras, por enquanto, estão sendo depositadas nas eleições de outubro.

Em março deste ano, a Argentina foi contemplada na cota Hilton 481 da União Europeia (UE). A UE determina “cotas” (quantidades) de carne que cada país irá fornecer para ela. São cortes especiais como filé, alcatra, picanha, entre outros cortes nobres. O período da cota é anual e vai de julho a junho do ano seguinte.

Além disso, a Argentina venceu uma disputa com os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio, o que abriu portas para as exportações de carne aos americanos. Com isso, a esperança é de que o panorama das exportações melhore nos próximos anos.

Encerramos nosso post com este pôr do sol lindo registrado nas estradas por onde passamos e um agradecimento especial aos colaboradores da Famato, Senar e Imea que trabalharam na missão.

Até a próxima!

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Equipe de colaboradores da Famato, Senar-MT e Imea.
Equipe de colaboradores da Famato, Senar-MT e Imea.

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