Analista da Famato faz palestra no Sindicato Rural de Guarantã do Norte sobre Missão Técnica EUA

Na terça-feira (19.02), o analista de Pecuária do Núcleo Técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Carlos Augusto Zanata, apresentou palestra no Sindicato Rural de Guarantã do Norte sobre a Missão Técnica Estados Unidos, promovida pela Famato e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT) em setembro de 2012.

A palestra contou com a participação de aproximadamente 50 pessoas, entre produtores rurais e membros do Sindicato Rural. O analista da Famato e o diretor secretário do sindicato, Láercio Dalsochio, falaram sobre as tecnologias vistas durante a viagem técnica aos Estados Unidos. “Uma das finalidades destas missões é apresentar aos produtores mato-grossenses as novidades e técnicas que conhecemos em outros países. Com este evento no Sindicato Rural de Guarantã do Norte tivemos a oportunidade de difundir os conhecimentos que trouxemos dos Estados Unidos”, explicou Zanata.

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Diretor secretário do sindicato, Láercio Dalsochio, fala sobre a Missão Técnica EUA.

 

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Viajar pelos Estados Unidos – Uma rica experiência que recomendamos aos que tiverem oportunidade

Confira artigo do gerente sindical do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, Antônio de La Bandeira, em que ele conta sobre a experiência de participar da Missão Técnica da Famato e do Senar-MT pelos Estados Unidos.

Antônio de la Bandeira na Husker Harvest Days.

Durante os dias 11 e 23 de setembro inclusive o tempo da viagem (23 horas de vôo incluindo deslocamentos internos nos Estados Unidos), participamos com mais 21 pessoas de importante missão técnica aos Estados Unidos da América. Trata-se de oportunidade oferecida anualmente a integrantes de Sindicatos Rurais de Mato Grosso pelo Sistema Famato/Senar, conduzidas por Ricardo Arioli, nosso amigo e produtor rural em C. Novo do Parecis.

Fizeram parte da comitiva presidentes, diretores e funcionários de Sindicatos Rurais de praticamente todas as regiões de Mato Grosso e diretores e colaboradores da Famato e Senar. O foco principal da missão foi a pecuária, porém, a diversidade de empreendimentos visitados proporcionou uma rica experiência a todos os participantes. Usinas de etanol a base de milho, confinamentos, fazendas que praticam somente agricultura ou a pecuária e/ou os dois segmentos integrados, praça de leilões de gado, rodeio, universidade, cooperativas e feira agropecuária fizeram parte do nosso roteiro.

Visitamos também o Senado americano, a FSA – Serviço de Previsão de Safras do USDA e a Federal Farm Bureau, que se equivale à nossa Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, todos na capital do país Washington. E obviamente também passamos por diversas atrações turísticas que estavam no roteiro percorrido entre uma visita técnica e outra, pois foram mais de 2.000 km viajando de ônibus pelo interior dos estados de Nebraska, Iowa e Dakota do Sul.

Entre os diversos pontos visitados, o Monte Rushmore, uma das sete maravilhas do mundo moderno onde foram esculpidas na montanha de granito, em tamanho gigante, esculturas de quatro presidentes americanos, o Parque Estadual Custer que abriga o maior rebanho de búfalo do mundo e as Bad Lands (Terras Ruins), que abrigam a maior ocorrência mundial de fósseis da época do período Oligoceno (28 a 37 milhões de anos).

Destacamos, entre o rico e diversificado roteiro, a Husker Harvest Days (Dias de Colheita de Milho) em sua 35ª edição, na cidade de Grand Island – Nebraska. Considerada a maior feira agropecuária irrigada do mundo, o evento contempla a agricultura e pecuária com os mais diversos campos de demonstração, altíssima tecnologia para os mais variados segmentos, desde genética para animais, exposição de moderníssimas, enormes pequenas e micro máquinas, veículos e equipamentos, seminários e palestras e inúmeras outras atrações.

Numa área de 32 hectares e com cerca de 500 expositores de 28 estados americanos, destacam-se equipamentos para irrigação. Não por acaso, pois apenas no estado do Nebraska, dos 19,9 milhões de ha que formam o Estado, 47% são agricultáveis e 56% do cultivo destas áreas são irrigados. São 52.000 pivôs centrais espalhados pelas propriedades, buscando água do subsolo via poços artesianos, processo indispensável ante a baixa precipitação pluviométrica da região.

Teríamos muito mais para descrever sobre a incrível experiência. Porém, aos que porventura desejarem mais informações, sugerimos acesso a www.blogdafamato.wordpress.com, onde poderão ter detalhes cuidadosamente descritos pela competente jornalista Camila Tardin, que acompanhou a Missão. Inclusive fotografias de todas as atrações do bem elaborado roteiro. Nós especificamente, como gerente sindical e coordenador dos eventos do Sindicato Rural em especial a Parecis SuperAgro, somos gratos à diretoria do nosso Sindicato Rural e pessoal da Famato/Senar pela oportunidade. Aprendemos muito e vamos procurar colocar em prática parte do conhecimento adquirido.

Tudo foi gratificante, porém, ter convivido com pessoas as quais algumas não conhecíamos e termos nos tornado grandes amigos, vem complementar de modo singular a extraordinária experiência. Finalizamos lembrando ainda que temos muito a aprender com os Americanos. Os EUA e seu povo dão exemplos de civilidade, patriotismo, organização, seriedade, empreendedorismo e educação.

SUCESSÃO FAMILIAR TAMBÉM É PREOCUPANTE NAS FAZENDAS AMERICANAS

Neste relato, a supervisora da Equipe de Aprendizagem Rural do SENAR-AR/MT, Juliana Mardegan Ferreira, fala sobre suas impressões dos Estados Unidos. Um dos assuntos que chamou a atenção de Juliana foi o problema da sucessão familiar vivenciado pelos produtores americanos. Confira a opinião dela:

Juliana Mardegan Ferreira em frente à casa de uma das fazendas visitadas nos Estados Unidos.

“A Missão Técnica aos EUA, realizada pela Famato e Senar-MT, foi uma oportunidade fantástica para visualizar de perto a realidade de um país tão desenvolvido, produtivo e tecnológico. Além disso, conseguimos comparar o país com a nossa realidade, o que sem dúvida estimula a busca por ideias extraindo o que há de melhor para futuramente difundir e implantar em nosso Estado de acordo com a viabilidade.

O que mais me chamou a atenção foi ver que assim como os produtores do Mato Grosso, há uma grande preocupação dos americanos com a sucessão familiar das propriedades e garantia da continuidade do negócio. É fato que a média da faixa etária dos produtores, que se encontram em torno de 57 anos, mostra que os proprietários estão envelhecendo, sendo extremamente necessário programas de incentivo às futuras gerações para não haver abandono da atividade e, consequentemente, a quebra na produção de alimentos como um todo. Segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), 70% das terras agrícolas do país estarão mudando de mãos nos próximos 20 anos. Isso pode ser uma grande oportunidade para jovens que estão dispostos a assumir os negócios, mas exige uma atenção especial dos órgãos voltados ao desenvolvimento da agricultura e pecuária.

Isso ficou claro ao vermos programas do governo, que além de oferecer financiamentos com juros baixo em parceria com o USDA, focam na formação educacional rural. Um exemplo é o ‘Nebraska Beginning Farmer’, feito em parceria com a Universidade de Nebraska, que oferece graduação nos diversos sistemas de tecnologia de produção da agricultura, horticultura, agronegócio e veterinária com foco em empreendedorismo em todo o currículo desenvolvido para incentivar os formandos a retornarem para a comunidade rural e serem empresários e/ou gestores na próxima geração da propriedade.

Por falar em transição dos negócios de pais para filhos no meio rural, lembramos a todos que continua em andamento no Senar-MT a 1° turma do Programa Sucessão Familiar. No dia 27/09 será realizado o 3° módulo em que serão tratados aspectos legais na sucessão. No período de 28 a 29/09 será a vez do 4° módulo, referente à governança e sucessão corporativa com os respectivos professores da USP e FIA (Fundação Instituto de Administração da USP), Gustavo Passarelli e Luiz Marcatti”.

Juliana Mardegan Ferreira

Supervisora da Equipe de Aprendizagem Rural do SENAR-AR/MT

Gestora do Programa Sucessão Familiar

Farm Bureau trabalha para mudar Lei Agrícola dos EUA

A Farm Bureau dos Estados Unidos (EUA), entidade similar à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), está trabalhando para que as mudanças da nova Lei Agrícola americana não prejudiquem os produtores rurais. Com a crise que afetou o país nos últimos quatro anos, ficou difícil para o setor agropecuário encontrar recursos para manter programas ou criar novos ao setor produtivo. Esta foi uma das informações passadas pelo diretor sênior das Relações com o Congresso, David J. Salmonsen, aos participantes da Missão Técnica da Famato e Senar, nos EUA.

Segundo Salmonsen, em função a crise econômica dos EUA, o setor produtivo está aceitando abrir mão dos subsídios agrícolas antigos. Mas, em contrapartida, demandam um seguro agrícola mais forte e que proteja os produtores de uma maneira mais eficiente.

O seguro agrícola americano é baseado na renda do produtor. Entre 60% a 90% dos produtores americanos contratam o seguro. O percentual varia de acordo com a cultura. Conforme Salmonsen, a Farm Bureau está trabalhando por algumas mudanças. O seguro continuará baseado na renda, mas o setor produtivo quer mudar a época de formação do preço final. O governo subsidia 60% do prêmio.

Reunião na Farm Bureau em Washington DC.

Um dos grandes problemas da nova Lei Agrícola é que ainda não existe um seguro para o produtor de gado. De acordo com a economista, Veronica Nigh, é complicado fazer o seguro da pecuária. Mas, no caso do gado de corte, existe um projeto que se não chover uma determinada quantidade de água na região, o produtor pode acionar um seguro alegando redução no crescimento das pastagens. Porém também é uma medida complicada. “Vamos tentar colocar mais coisas no ‘guarda-chuva’ do seguro para a nova Lei Agrícola, como frutas e a pecuária. Vamos desenvolver estes segmentos na nova lei em parceria com o USDA”, informou Veronica.

Na opinião do presidente do Sindicato Rural de Sapezal, Claudio José Scariote, o seguro americano agrícola é muito mais barato do que o brasileiro. “Em Sapezal, muitas vezes não aderimos ao seguro por que a taxa é muito alta”, afirmou o produtor.

Com relação à safra de milho americana, a economista disse que em função da seca, considerada a pior dos últimos 50 anos, a expectativa é colher 10,7 bilhões de bushel de milho, ou seja, 1,7 bilhão a menos do que no ano passado. “Os estoques ficarão apertados. O estoque de milho deve ficar em torno de 6%. Agora todo mundo vai olhar para a safra brasileira”, alertou Veronica.

No caso do gado de corte, a economista destacou que deve demorar cerca de três anos para o setor se recuperar. “Já tivemos a seca do ano passado no sul do país. Com isso, alguém deve substituir as compras de carne e milho dos Estados Unidos por outros países. Isso pode afetar um pouco a reputação americana como fornecedor mundial de alimentos”, concluiu a economista.

A Farm Bureau está presente em 50 estados americanos. É uma organização independente, voluntária, não-governamental, dirigida por produtores agrícolas e pecuaristas que os representam. O objetivo da entidade é analisar problemas comuns e formular ações que permitam conseguir melhorias educacionais, econômicas e sociais e, desta forma, melhorar  o bem-estar e a qualidade de vida da nação americana.

Equipe da Missão Técnica Famato e Senar-MT.

Missão Técnica visita Senado americano

Na última sexta-feira (21.09) o grupo da Missão Técnica Famato e Senar-MT nos Estados Unidos fez uma reunião com Joshua Tonsager, o assessor legislativo do Senador de Dakota do Sul Tim Johnson. Uma das informações passadas pelo assessor e que chamou a atenção do grupo foi a concentração de empresas de abate de bovino, suínos e aves nos Estados Unidos. Isso demonstra que o problema não é exclusivo do Brasil.

Na oportunidade, o diretor de Relações Institucionais da Famato, Rogério Romanini, informou que a Famato, juntamente com as federações de Goiás e Mato Grosso do Sul, se uniram para tratar da concentração de frigoríficos na região Centro-Oeste do Brasil. “Formamos um grupo de trabalho e estamos fazendo um levantamento entre produtores, supermercados e as indústrias para checar a conta da carne, ou seja, os preços desde a criação dos animais até o abate e venda da carne nos supermercados”, informou Romanini.

Grupo reunido no gabinete do Senador Tim Johnson, em Washington. O Senador teve um compromisso, mas mandou um representante para receber a comitiva da Famato e Senar-MT.

Outro assunto debatido e que também foi abordado na reunião seguinte com a Farm Bureau foi o “Ato da Água Limpa”. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) está tentando expandir o controle da água para todas as coleções de água, como rios, riachos e poços dos EUA. A Suprema Corte já derrubou esta pretensão em duas ocasiões, mas a EPA não desiste e conta com o apoio de organizações ambientais. Segundo Tonsager, a agência está tentando interpretar de forma diferente uma lei que já existe. “O Senado reagiu e discorda da forma como a EPA está interpretando a lei”, acrescentou o assessor. Inclusive, a Farm Bureau, entidade que corresponde à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), está processando o governo americano por conta da EPA querer expandir uma lei que já existe e nunca foi interpretada da maneira como a agência está fazendo.

No Senado, um dos assuntos que o senador Tim Johnson tem trabalhado com mais intensidade é a aprovação da Lei Agrícola. “A nova lei tem proteção para desastres, como a seca que está ocorrendo agora e está afetando principalmente os produtores de carne que estão desassistidos”, informou Tonsager ao complementar que a lei não deve ser votada antes da eleição presidencial.

A sucessão familiar é mais uma preocupação do parlamentar. Em Dakota do Sul, por exemplo, a idade média dos produtores é 57 anos e os filhos não estão querendo ficar nas propriedades. Os EUA oferecem alguns programas para estimular a entrada de pessoas na agricultura. São financiamentos que buscam aumentar o valor agregado da produção e contribuem para que os agricultores permaneçam na atividade.

Prédio do Senado em Whashington DC.