Política de incentivos a produtores rurais da Europa é tema de visita ao Ministério da Agricultura da França

Criada em 1962 a Política Agrícola Comum da União impressionou os membros da Missão Técnica França que na última sexta-feira (23/06) foram recebidos no Ministério da Agricultura e Alimentação da França. O continente investe 58 bilhões de euros por ano no setor agropecuário, o que representa 40% do orçamento total do bloco de países.

A Missão é promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT), com o objetivo de promover a troca experiências e gerar novos conhecimentos que podem auxiliar o desenvolvimento da produção mato-grossense. O grupo é composto por produtores rurais, presidentes e dirigentes de sindicatos rurais, representantes das três fazendas ganhadoras do Prêmio Sistema Famato em Campo Edição 2016, os vencedores do Prêmio de Mobilização 2015 do Senar-MT, diretores e colaboradores do Sistema Famato.

Participantes da Missão Técnica no Ministério da Agricultura e Alimentação da França

O representante da União Europeia no Ministério da Agricultura e Alimentação da França, Jean-Michel Rouxel, explicou que a Política Agrícola Comum foi a primeira a ser discutida no continente. Segundo ele, ao fim da 2ª Guerra Mundial a Europa não produzia alimentos suficientes para a sua população, por isso a necessidade de desenvolver a agricultura.

Além de assegurar a produção de alimentos e promover um padrão de vida melhor para os produtores, a política também foi desenvolvida para garantir bons alimentos com preços acessíveis aos europeus, aumentar a produtividade das culturas e estabilizar os mercados. “Resumindo, o produtor tinha que ganhar o suficiente para ter uma boa vida e o consumidor ter produtos de qualidade com bons preços”, explicou Rouxel.

Para isso, foram usadas quatro ferramentas: a proteção das fronteiras; a garantia de preços mínimos sem limites em caso de super safras; estoques públicos também sem limites e uma a política para a restruturação das propriedades. Entretanto, alguns anos depois os problemas de excesso de produção começaram a aparecer e no início dos anos 1990 a política foi reestruturada.

Representante do Ministério da Agricultura da França apresenta a política agrícola do país aos produtores de MT

A partir de então ficou estabelecido que em vez de preço mínimo, o produtor receberia um subsídio para produzir. E para reduzir o número de agricultores no continente que a política sem limites havia gerado, algumas barreiras ambientais foram criadas.  Em 1999 foi introduzido mais um pilar na política comum que consiste em apoiar os investimentos privados e públicos dentro das propriedades.

Essa política persiste até os dias atuais, entretanto, para receber os subsídios o produtor precisa atender algumas condicionantes, entre elas garantir o bem-estar animal e a segurança alimentar. Os pagamentos também começaram a ser de acordo com a área de produção.

A União Europeia também desenvolve ferramentas de redução de risco, com o pagamento do prêmio do seguro agrícola e a criação de fundos mútuos.

De acordo com Rouxel, a França recebe cerca de 9 bilhões de euros por ano da União Europeia para serem injetados no setor. Além deste valor, o país investe mais 70% em cima dos 9 bilhões na agricultura e pecuária.

Jean-Michel Rouxel explicou que o valor é  dividido em duas formas de subsídios ao produtor rural. “Além de realizarmos os pagamentos básicos por hectare que todos recebem, ainda fazemos pagamentos extras aos produtores jovens e aos que produzem de acordo com as regras dos produtos com selo BIO”, disse Rouxel.

Os produtores que estão em áreas onde o cultivo é difícil, como é o caso dos Pirineus, o governo francês ainda oferece outros incentivos. Segundo o representante do ministério, esses pagamentos são para que os produtores não deixem de produzir nessas áreas. Também são oferecidos subsídios extras aos produtores que trabalham com culturas difíceis.

“É incrível a forma que o governo europeu trata seu produtor rural. Há toda uma proteção e um incentivo para que os agricultores permanecem no campo, os produtores têm seu valor reconhecido. Saímos daqui energizados, com vontade de buscar ainda mais mudanças para nós no Brasil”, disse o diretor de Relações Institucionais da Famato, José Luiz Fidelis.

Incentivos para os jovens – O governo francês desenvolve uma política especial para os jovens que pretendem ingressar na atividade. De acordo com o Ministério da Agricultura e Alimentação da França, a idade dos produtores tem aumentado, cerca de 35% deles têm mais de 55 anos e o número de produtores tem diminuído. Por ano a cada 20 mil que deixam a atividade, apenas 12 mil ingressam.

Para incentivar o aumento dessa taxa de renovação, a França oferece subsídios especiais aos jovens que pretendem trabalhar na produção de alimentos. Os incentivos podem chegar a 70 mil euros. O plano de investimento tem duração média de quatro anos. Por ano, cinco mil jovens produtores são beneficiados, a média de investimento é de 20 mil euros por produtor.

“É muito interessante ver esse apoio que o governo francês oferece para quem está iniciando, pois nos primeiros anos são realmente difíceis para se manter na atividade”, disse o presidente do Sindicato Rural de Alta Floresta, Walmir Naves Coco.

A sucessão familiar também é incentivada no país. O jovem produtor que entra na atividade para substituir os pais recebe um incentivo de quatro mil euros para iniciar o seu trabalho.

Jovem produtor francês (à direita) apresenta sua fazenda aos mato-grossenses

Outro ponto que é valorizado pelo governo da França é a educação. Para ter direito aos subsídios, o jovem produtor precisa ter curso superior. “Queremos que esses novos produtores tragam o que aprenderam nas salas de aula para dentro da propriedade, promovendo o desenvolvimento de novas formas de agricultura.

Também queremos que eles trabalhem cada vez mais na agregação de valor e na busca de produtos certificados, com isso queremos manter a atividade no país”, afirmou o representante do Ministério da Agricultura.

Édio Brunetta, produtor rural em Porto Alegre do Norte e diretor da Famato, disse que é esse tipo de incentivo que falta no Brasil.

“Vimos que mais de 75% dos jovens que vão assumir uma propriedade na França têm uma formação, isso mostra que os produtores franceses estão cada vez mais capacitados, competentes e produtivos.  Além disso eles ainda possuem incentivos para investirem nas propriedades com alta tecnologia. Todos os investimentos retornam para os produtores, enquanto no Brasil não temos a certeza disso”.

Segundo o governo francês, 96% dos jovens que receberam os subsídios permaneceram no campo após 10 anos. A taxa de permanência dos que não receberam é de 85%.

 

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Produtores de MT conhecem sistema de cooperativismo na França

A cooperativa Terrena, a principal de produtores rurais da França e a segunda maior da Europa foi quem nos recebeu nesta segunda-feira. A cooperativa tem 130 anos de história, conta com 29 mil associados, mais de 15 mil trabalhadores assalariados. Localizada no Vale do Loire, investe cerca de 100 milhões de euros por ano e movimentou, em 2016, 5,2 bilhões de euros.

Membros da Missão França ouvem atentos as informações sobre a Terrena

No continente europeu, a Terrena é conhecida por seus valores e sua credibilidade econômica. Buscando desenvolver o território, valorizar o produtor rural e agregar valor aos produtos locais.

O gerente do departamento Técnico do Senar-MT,  Guto Zanata, conta quando e como surgiu a ideia de levar os líderes do agro mato-grossense à Terrena.

O presidente do Sindicato Rural de Poxoreú, José Jorge Sobrinho, diz que levará esse exemplo de cooperativismo para o município.

“Acredito que seja possível implantar um processo semelhante ao da Terrena junto com os pequenos produtores de Poxoréu, agregando valor ao que é produzido, oferecendo produtos de qualidade ao consumidor e gerando mais renda ao nosso produtor e consequentemente para o município”.

A agregação de valor promovida pela cooperativa junto aos seus cooperados, chamou a atenção do presidente do Sindicato Rural de Alta Floresta, Walmir Naves Coco.

 

 

Produtores de Mato Grosso conhecem criação de Limousin

Originária do sudoeste da França, a raça bovina Limousin impressiona pelo seu peso e tamanho. O nosso grupo de produtores rurais que está em Missão Técnica no país conheceu uma propriedade rural, localizada no distrito de Aveyron, que possui um rebanho de 100 vacas da raça. O objetivo é criar bezerros para o abate. A lotação é de uma vaca por hectare.

Vacas da raça Limousin

Na propriedade de Olivier Garry, os bezerros são abatidos com oito meses de idade, pesando aproximadamente 350 kg. Além do leite, eles são alimentados com um composto de quatro tipos de cereais, torta de colza, milho e polpa de beterraba. Com oito e dez anos de idade as vacas são descartadas, o peso final é de aproximadamente 650 kg, o rendimento da carcaça é de 58%.

Olivier e parte do seu rebanho

O produtor rural de Brasnorte, Aldo Rezende Telles, acredita que o nelore criado no Brasil não perde em nada para a raça Limousin, Confira a opinião dele.

O pecuarista e presidente do Sindicato Rural de Juara, Jorge Mariano de Souza, pontua as diferenças entre o esse sistema de criação e o adotado em Mato Grosso.

 

Vencedores do Prêmio Sistema Famato em Campo vão conhecer a agropecuária francesa

Representantes das três fazendas ganhadoras do Prêmio Sistema Famato em Campo Edição 2016 embarcaram nesta segunda-feira (12/06) para uma Missão Técnica na França. Junto com eles também estão diretores e técnicos do Sistema Famato.

O objetivo da viagem é conhecer a produção agropecuária da França, trocar experiências e adquirir novos conhecimentos que poderão inspirar e auxiliar o desenvolvimento da produção mato-grossense.

Na oportunidade, haverá um momento em que o grupo apresentará os “cases” de sucesso das fazendas vencedoras do prêmio e como funciona a agropecuária desenvolvida em Mato Grosso.

É por meio das missões técnicas que os participantes podem conhecer outros modelos de propriedades rurais, o manejo aplicado, formas de gestão, cooperativas, indústrias e tecnologias utilizadas tanto para a agricultura quanto para a pecuária.

Bandeira da França.
Bandeira da França

“A França é um dos maiores centros de produção agrícola e pecuária da Europa. O país ganha destaque na União Europeia com uma grande produção de leite, vinhos, beterrabas, além dos cereais e oleaginosas. Durante a missão, queremos conhecer as experiências que dão certo lá para podermos compartilhar com os produtores de Mato Grosso, por meio dos nossos Sindicatos Rurais, e adaptá-las a nossa realidade”, informa o diretor de Relações Institucionais da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), José Luiz Fidelis.

A primeira parada do grupo será em Toulouse, no Sul da França, onde conhecerão a Universidade de Purpan. Fundada em 1919, a universidade é hoje uma das principais escolas agro da França. Ainda nesta região, os produtores vão visitar propriedades de soja orgânica e outras que agregam valor à produção.

Universidade de Purpan.
Universidade de Purpan

“Como a verticalização da produção foi o tema do Prêmio Sistema Famato em Campo do ano passado escolhemos um país que trabalhe bem a questão da diversificação de culturas. Vamos conhecer as técnicas utilizadas pelos produtores franceses para agregar valor à sua produção e mostrar como fazemos isso aqui em Mato Grosso. Com certeza será uma troca de experiências enriquecedora”, comenta o diretor Administrativo e Financeiro da Famato, Vilmondes Tomain.

Depois, o grupo seguirá para a região francesa do Vale Loire onde visitará a Terrena – La Nouvelle Agriculture, uma cooperativa agrícola com 130 anos de história que conta com cerca de 29 mil agricultores associados. A última parada da Missão Técnica será em Paris onde os produtores mato-grossenses vão aprender um pouco mais sobre as políticas agrícolas do país em uma visita ao Ministério da Agricultura da França.

“Estamos animados com a oportunidade de adquirir uma gama de conhecimentos que uma viagem como essa vai nos proporcionar e com a possibilidade de mostrar o que fazemos. Com certeza traremos muitas coisas boas na nossa bagagem para compartilhar”, diz o casal de produtores rurais Romeu e Dulce Ciochetta, proprietários da fazenda Morena, de Campo Novo do Parecis, uma das vencedoras do Prêmio Sistema Famato em Campo.

Sobre o prêmio – O Prêmio Sistema Famato em Campo é uma iniciativa da Famato juntamente com o Senar-MT e o Imea. Surgiu em 2015 com o objetivo de identificar no Estado práticas diferenciadas da pecuária.

Na segunda edição, em 2016, buscou fazendas que desenvolvem sistemas com integração de culturas diversificadas, englobando produção agrícola, pecuária e floresta.

As sete propriedades de maior destaque receberam o troféu Sistema Famato em Campo. Dessas, as três mais pontuadas foram selecionadas para participarem de uma Missão Técnica na Europa em 2017. São elas: fazenda Lucion, do município de Vera, a fazenda Brasil, de Nova Xavantina, e a Fazenda Morena de Campo Novo do Parecis.

Fazendas premiadas em 2016
Fazendas premiadas em 2016

Conhecimento compartilhado!

O presidente do Sindicato Rural de Brasnorte Aldo Rezende compartilhou com os produtores rurais do município os conhecimentos adquiridos na Missão Técnica aos Estados Unidos realizada em março deste ano. A apresentação aconteceu na sede do sindicato. ‪#‎compartilhandoconhecimento‬ ‪#‎MissãoTécnica‬ ‪#‎EUA‬ ‪#‎Kansas‬ ‪#‎Pecuária‬‪#‎SistemaFamato‬

 

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Mostrando os resultados!

Produtores dos Sindicatos Rurais de Nova Canaã e Porto Alegre do Norte tiveram uma noite de muitos conhecimentos, nesta quarta-feira (18/05). Um evento de apresentação dos resultados da Missão Técnica ao Kansas nos Estados Unidos mobilizou pecuaristas das respectivas regiões.
Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer a realidade do sistema de produção dos americanos. Como também puderam fazer um comparativo do bom desempenho da pecuária mato-grossense comparada a dos Estados Unidos.
Os sindicalizados de Nova Canaã foram representados na Missão pelo presidente Mário Wolf Filho, e os pecuaristas de Porto Alegre pelo presidente Édio Brunetta e o gerente geral de pecuária Hélio Beraldo .‪#‎MissãoTécnica‬ ‪#‎Kansas‬ ‪#‎EUA‬ #SistemadeProdução ‪#‎Pecuária‬ ‪#‎Famato‬‪#‎Senar‬

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Compartilhando experiências!

Os participantes da Missão Técnica 2016 aos Estados Unidos já estão colhendo os resultados. Prova disso são as apresentações que estão sendo realizadas nos seus respectivos Sindicatos Rurais. Os associados de Paranatinga e Barra do Bugres tiveram a oportunidade de assistir uma apresentação com fotos, vídeos e exemplos da pecuária americana.
Os produtores rurais Eduardo Minoro Sako de Paranatinga e Renato Romanini de Barra do Bugres participaram da Missão e estão compartilhando experiencias. ‪#‎MissãoTecnica‬ ‪#‎EUA‬ ‪#‎Kansas‬ ‪#‎Pecuária‬‪#‎Famato‬ ‪#‎Senar‬

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